Tenho que lhes mostrar o que sinto, o que gosto e o que pretendo.
É um mal que consome e, enquanto não é solto, perturba.
Meus ideais ainda são os mesmos, só mudou o tom da voz.
Quem me escuta e não tem medo, ajuda, apenas ouvindo.
Continuo chato, triste e sádico. Total ego!
Continuo letal e insensível comigo. Menosprezo.
Com você? Não sei mesmo o que fazer com você.
E nem tento descobrir. Esse jogo não cola comigo. Não mais.
Apenas pergunto. Uma única vez. E se não me disser, quem perde não sou eu.
Já pensou no que deseja?
Já sentiu o que precisava?
Já está satisfeita com o que tem?
Não deseja mais nada?
Então é minha vez, de novo. E de novo, de novo, de novo não tenho nada.
Na verdade tenho tudo, mas sempre penso que não tenho nada.
Eu quero é sempre mais.
De onde vier é lucro.
Lembra que sou egoísta?
As pessoas gostam de mim assim.
Por que eu gosto de mim primeiro.
Eu sou letrista, poeta, compositor.
Eu sou menino, moleque, trabalhador.
Eu sou da mãe, sou pai, sou avô.
Eu sou gentil, engraçado, consumidor.
Sou o cara. Sou a tara. Sou gestor.
Sou bacana. Sou sacana. Sedutor.
Sou Henrique. Sou Corrêa. Sou Silva também.
Sou um tempo em silêncio.
Sem palavras.
Amém.
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